Colega da pós-graduação na PUC-SP, o querido Edson Kayapó, nascido no Amapá, é coordenador da Licenciatura Intercultural Indígena do Instituto Federal da Bahia (IFBA). No último dia 5, ele e um grupo de professores se dirigiam para mais um trabalho acadêmico na Aldeia Caramuru, quando, em São José da Vitória, sul da Bahia, o carro em que eles viajavam foi interceptado por capangas, que os obrigaram a sair do veículo e os ameaçaram de morte. Vou colar aqui duas narrativas feitas pelo próprio Edson do horror que se seguiu, incluindo o fato (que me dói particularmente) de saber que ele, tentando se proteger, foi depois espancado por desconhecidos por ser índio!!!
Espero, sinceramente, que o IFBA e a polícia baiana estejam tomando providências para punir os responsáveis por esses atos e que o Edson possa prosseguir sua vida com a inteligência, a alegria, a tenacidade e a sensibilidade que lhe são peculiares.
Meu querido, meu abraço. Que o Grande Espírito esteja contigo!
***
Do mural do Edson Kayapó de 5 de setembro de 2013:
Um crime absurdo!
Mais um carro (oficial) incendiado e professores e motorista da Licenciatura Intercultural Indígena do IFBA ameaçados.
Foi hoje, por volta das 11h, um grupo de quatro capangas interceptaram o carro do IFBA, em São José da Vitória, nas proximidades de Buerarema. Eu estava com os professores João Veridiano (Antropólogo), a professora Julia Rosa (História Indígena) e o motorista. Tínhamos concluído atividades da LINTER em Olivença e estávamos a caminho de Pau Brasil, onde teríamos atividades na aldeia Caramuru (Pataxó Hã Hã Hae). Os capangas pararam o carro e disseram: "tem um índio no carro" e, em seguidas, fomos violentamente expulsos do carro e o veículo foi levado por eles.
Fui orientado pelos colegas de trabalho a voltar de táxi para Itabuna, uma vez que os capangas demonstravam ódio contra índios. Foi o que eu fiz, no entanto, o táxi foi interceptado em Buerarema e lá fui espancado e ameaçado de morte por pessoas desconhecidas.
O carro do IFBA foi incendiado e jogado no meio da BR, na cidade de São José da Vitória. Os colegas de trabalho bem, estão na delegacia da cidade e eu, nem sei onde estou...Escondido? De que mesmo? Não cometi nenhum crime.
A violência contra nossos povos não recua e toma proporções alarmantes.
As autoridades poucos esforços mobilizam contra esse estado de coisas.
***
Queria que fosse só um pesadelo, mas foi bem assim:
Você é índio, né?
- Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia.
Mas você é indío, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da Amazônia.
O que você tá fazendo aqui?
- Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena.
Você é amigo deles.
Você está preparado pra morrer?
_ (silêncio)
(barulho do gatilho da arma...Não disparou)
Vá embora, nem olhe para trás.
Espero, sinceramente, que o IFBA e a polícia baiana estejam tomando providências para punir os responsáveis por esses atos e que o Edson possa prosseguir sua vida com a inteligência, a alegria, a tenacidade e a sensibilidade que lhe são peculiares.
Meu querido, meu abraço. Que o Grande Espírito esteja contigo!
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Do mural do Edson Kayapó de 5 de setembro de 2013:
Um crime absurdo!
Mais um carro (oficial) incendiado e professores e motorista da Licenciatura Intercultural Indígena do IFBA ameaçados.
Foi hoje, por volta das 11h, um grupo de quatro capangas interceptaram o carro do IFBA, em São José da Vitória, nas proximidades de Buerarema. Eu estava com os professores João Veridiano (Antropólogo), a professora Julia Rosa (História Indígena) e o motorista. Tínhamos concluído atividades da LINTER em Olivença e estávamos a caminho de Pau Brasil, onde teríamos atividades na aldeia Caramuru (Pataxó Hã Hã Hae). Os capangas pararam o carro e disseram: "tem um índio no carro" e, em seguidas, fomos violentamente expulsos do carro e o veículo foi levado por eles.
Fui orientado pelos colegas de trabalho a voltar de táxi para Itabuna, uma vez que os capangas demonstravam ódio contra índios. Foi o que eu fiz, no entanto, o táxi foi interceptado em Buerarema e lá fui espancado e ameaçado de morte por pessoas desconhecidas.
O carro do IFBA foi incendiado e jogado no meio da BR, na cidade de São José da Vitória. Os colegas de trabalho bem, estão na delegacia da cidade e eu, nem sei onde estou...Escondido? De que mesmo? Não cometi nenhum crime.
A violência contra nossos povos não recua e toma proporções alarmantes.
As autoridades poucos esforços mobilizam contra esse estado de coisas.
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Queria que fosse só um pesadelo, mas foi bem assim:
Você é índio, né?
- Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia.
Mas você é indío, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da Amazônia.
O que você tá fazendo aqui?
- Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena.
Você é amigo deles.
Você está preparado pra morrer?
_ (silêncio)
(barulho do gatilho da arma...Não disparou)
Vá embora, nem olhe para trás.

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